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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

RECESSO MUNICIPAL CAUSA TRANSTORNOS NA ÁREA DA SAÚDE

O Hospital de Gimirim está sofrendo com o excesso de pacientes que têm buscado auxilio médico no Pronto Atendimento Municipal. O recesso dado pela Prefeitura para os funcionários do Posto de Saúde e dos PSF´s faz com que muita gente procure o hospital para fazer consultas que geralmente são realizadas nestas unidades. O problema é que o Pronto Atendimento deixa claro: só recebe casos de urgência e emergência. O resultado é um conjunto de reclamações e até confecção de boletins de ocorrência.
Na manhã desta segunda-feira, uma mãe que buscava atendimento para sua filhinha chamou a policia e a Imprensa para reclamar do descaso. Segundo ela, a garotinha teve febre durante a noite de domingo, mas como o sintoma não foi detectado em aferição no hospital o atendimento foi recusado. Chorando, ela criticou a Secretaria da Saúde por permitir o recesso dos funcionários. "Um médico plantonista não pode atender a todo o municipio sozinho, eu entendo, mas minha filha só não está com febre agora porque eu dei um remédio pra ela antes de trazê-la aqui. Se no Posto tudo estivesse normal, não precisaria disso".
Uma outra mulher reclamava de dores no peito e falta de ar. Ela dizia que sempre era atendida em um dos PSF´s da cidade, mas não só encontrou a unidade fechada como o médico que a atendia sofreu um acidente (Dr. Roander, que está internado em Alfenas após chocar seu carro com um caminhão). "Tem alguns remédios que não posso tomar, e agora estou passando esta dificuldade aqui porque o PSF está fechado, mas onde eu iria se não fosse aqui no Hospital?", reclamou.
A diretoria e o médico que atendia no plantão do H.G. não quiseram gravar entrevista, mas conversaram com nossa reportagem. Eles apresentaram uma lista dos procedimentos considerados de urgência e emergência (veja lista abaixo) e também reclamaram do recesso municipal. De acordo com o plantonista todos os casos estavam recebendo a devida atenção, mas algumas pessoas ainda assim não conseguiam entender porque não eram recebidas no consultório. "Quem chega reclamando de problemas de pressão ou febre alta passa por uma aferição. Se o sintoma não for confirmado, aconselhamos a pessoa a retornar depois ou procurar o Posto ou PSF quando for reaberto. Quanto às crianças, todas acabam por ser atendidas, mas há casos mais graves que têm prioridade", disse o profissional, que solicitou também que sua identidade fosse preservada.
O médico reclamou também dos pacientes que apareciam no Pronto Atendimento e acabavam por simular sintomas apenas para ser recebido no consultório. "Pessoas que dizem ter dor de cabeça e não têm, outras que reclamam de sintomas que não existem... teve o caso de um homem que chegou dizendo que estava passando mal e só queria mesmo era me mostrar um exame solicitado por um colega médico do PSF. Isso atrapalha muito e estas pessoas muitas vezes nem se tocam disso".
Uma sugestão dada pela diretoria foi a de que a Prefeitura enviasse funcionarios para o Hospital, a fim de ajudar na agilização do fluxo de pacientes. "Eles estão parados, mas não de férias. Já que as entidades estão fechadas, poderiam vir para o Pronto Atendimento, pois isso facilitaria muito o nosso trabalho", diz a diretora Daniela Pereira.
Procuramos a Secretaria da Saúde e a Prefeitura, mas as portas também estavam fechadas. Localizamos o Prefeito Beto Gouvêa, que deu algumas explicações e disse que já estava tomando providências para solucionar o problema. "Já entramos em contato com a diretoria do hospital e autorizamos a contratação, em regime de urgência, de mais um ou dois plantonistas para ajudar a desafogar o grande número de atendimentos. Por outro lado, acredito que estes problemas nos levarão a repensar o recesso para próximos fins de ano. Na área administrativa até que funciona bem, mas em setores como saúde e outros serviços essenciais nem tanto", disse Beto.
Detalhes e desdobramentos deste caso você tem no Informativo 105 (nesta terça, 28) e no próximo JPF.

ABAIXO, A LISTA DE PROBLEMAS ATENDIDOS PREFERENCIALMENTE NO HOSPITAL DE GIMIRIM, CONFORME AVISO FIXADO NA PORTA DA ENTIDADE: